Entenda como o bem-estar físico pode estar atrelado à paz interior



Você está com dor de cabeça de tanto pensar na vida, ou com aquela rinite insuportável que só passa quando sai de casa? Descobriu-se diabético, hipertenso, com problemas no fígado ou "ganhou" uma gastrite? A doença é uma importante dica para que a gente veja como estamos vivendo nossas vidas e nos mostra o que é importante mudar ou ao menos refletir a respeito.

Particularmente penso que as origens de muitas doenças são os medos, as mágoas, os ressentimentos e a incapacidade de entender que nós podemos ser mais generosos conosco mesmos, que podemos fazer por nós o que esperamos que os outros façam.

No meu infinito otimismo, acredito que sempre é tempo de tentarmos corrigir o curso da nossa trajetória. Não importa qual é nossa idade cronológica, se 18 ou 80 anos. É preciso cuidar do corpo com os recursos que temos ao nosso alcance, mas é preciso cuidar também da alma, do coração, das emoções - ou o nome que queiramos dar para a essa coisa tão subjetiva que são os nossos sentimentos e a forma como escolhemos viver a vida.

Quando nos afastamos de quem verdadeiramente somos, nos deprimimos. Deprimimos quando estamos perdidos dentro de nós. Quando ficamos enfurecidos, magoados ou frustrados, porque não temos o controle de quase nada. Com medo de perder algo ou alguém, aborrecidos porque não fizeram as coisas do nosso jeito, nosso corpo reage a esses sentimentos, produzindo várias substâncias que desarmonizam seu bom funcionamento, e adoecemos.

A CURA QUE VEM DO AMOR

No fim das contas, por mais piegas que possa parecer para muitas pessoas, o que cura tudo é mesmo o amor. Amor pela vida, pela natureza, pela humanidade, amor que começa pela gente mesmo e que se estende incondicionalmente.

É impossível definir amor, mas sabemos quando estamos tomados por ele. É difícil permanecermos na vibração do amor porque tantas coisas nos hipnotizam e nos iludem, daí a necessidade de termos consciência da importância de evitar os embates, os desentendimentos e a importância do riso - esse sim que nos tira da hipnose do egoísmo.

É um exercício constante permanecer no amor, especialmente e principalmente no amor por nós mesmos. É claro que quando falo em cura pelo amor, não estou falando num tipo de pensamento mágico que nos tira do alvo de todas as doenças físicas. Afinal, temos um corpo que, como tudo o que é material, tem um prazo de validade, envelhece e morre. Mas é o amor que nos conduz à compreensão e à aceitação de tantas coisas, e é por amor à vida que conseguimos superar e passar pelas incontáveis doenças físicas que nos acometem.

O PONTO DE PARTIDA PARA UMA VIDA MELHOR

Quando você se sentir desconfortável em seu próprio corpo, quando sentir que algo não encaixa bem, preste atenção e logo verá que algo que você está fazendo, ou alguma situação que está vivendo, está em desacordo com o que você realmente acredita ou deseja. Sabemos quando é necessário agir para resgatar a harmonia, mas nem sempre sabemos por onde começar.

Eis alguns passos que podem ser úteis em situações delicadas de sua vida, quando você desejar agir com base no amor. Dessa forma, encontrará a melhor maneira de sair da situação indesejável em que se encontra e resgatará a lucidez emocional:

Não tenha medo de dizer a verdade sobre seus sentimentos a você mesmo.
Declare seus sentimentos às pessoas envolvidas em sua decisão, pois não existem argumentos que possam destruir sua verdade interior.
Fale com calma, mas fale antes para você mesmo e perceba se suas palavras soam reais, se combinam e estão em acordo com os sentimentos puros, se não estão contaminadas por chantagem emocional ou por desejo de ferir o outro.
Escolha um momento de paz para conversar, pois durante uma briga só estamos interessados em falar. E ouvir o outro com atenção também é uma face do amor.
Finalmente, deixe-se envolver pelo sentimento de gratidão pela oportunidade de crescimento que você proporcionou a si mesmo e ao outro, através da honestidade e do amor.
AMOR E ESPIRITUALIDADE

Quando falamos em amor, penso que falamos também em espiritualidade. Uns podem entender que somos espíritos vivendo uma experiência humana, outros podem tomar esses sentimentos que transcendem as limitações da matéria como espiritualidade e outros podem ainda suprimir a palavra "espiritualidade" e substitui-la por outra qualquer que comporte o conceito do intangível, no que diz respeito às nossas sensações, satisfações ou frustrações, isso não importa. O certo é que vivenciamos e expressamos esses sentimentos através do corpo, e este reage a tudo o que sentimos.

A sensação de bem-estar geral tem no cultivo da espiritualidade uma de suas mais importantes razões. Mas será que precisamos estar dentro de uma igreja ou de um templo para vivenciarmos nossa espiritualidade? Penso que nem sempre, pois muitas situações nos colocam em contato com o mundo espiritual, como por exemplo:

Sentir por um desconhecido uma imensa e inexplicável simpatia.
Sentir o cheiro da chuva e perceber uma paz interna.
Cuidar de uma planta.
Dar um mergulho no mar silencioso e sentir-se renovado
Observar a concentração inocente da criança desvendando as mãozinhas.
Olhar para a Lua e sentir-se banhado pela certeza de que tudo é feito da mesma matéria prima.
Encontrar em si um nicho de paz que possa nos conduzir à misteriosa eternidade das perguntas sem resposta e não inquietar-se... Isso também significa se entregar à leveza da alma, isso é também viver a espiritualidade. O que importa é que temos nossos códigos próprios para compreender a manifestação da espiritualidade em nós mesmos, no outro e no mundo.



CELIA LIMA

Agir ou reclamar?




De um modo geral, costumamos reclamar de tudo que nos ocorre. Reclamamos do congestionamento do trânsito, da chuva que nos surpreende à saída do escritório, da demora no atendimento do serviço público, da incompetência de profissional contratado etc, etc...

Contudo, o que é importante não perdermos de vista é como reagimos a esses contratempos. Habitualmente, nossa reação é de irritabilidade, nervosismo, quase agressividade.

No entanto, da forma como encaramos as situações adversas, seremos mais ou menos felizes.

Vejamos: se ao nos prepararmos pela manhã, descobrimos a camisa não tão bem passada, podemos descarregar nossa raiva em quem consideramos responsável.

Nossas exclamações envolverão a funcionária, a quem chamaremos de inabilidosa, irresponsável, preguiçosa. No entanto, serão os afetos mais próximos que nos ouvirão a voz alterada e as altercações em desequilíbrio.

Dessa forma, contaminaremos, com fluidos deletérios, a ambiência doméstica.

A esposa poderá se magoar com as observações, acreditando que, no fundo, a estamos recriminando também, porque ela poderia ter revisado o trabalho da funcionária.

Os filhos, aguardando que os conduzamos à escola, se assustam com os gritos, em pleno início da manhã. O bebê chora, no berço, despertado pelo barulho.

Instala-se o caos. Por fim, solucionada a questão com a escolha de outra camisa, apanhamos as chaves do carro, ordenamos que as crianças andem rápido porque, afinal, perdemos precioso tempo.

Depois saberemos que um dos meninos recebeu falta, por ter se atrasado. O outro, recebeu reprimenda.

No escritório, todos nos aguardam na sala de reuniões. Estamos atrasados e a reunião começa tumultuada. Que dia!


Voltemos ao início da manhã e recomecemos. Encontramos a camisa mal passada, a deixamos de lado e escolhemos outra.

Beijamos o bebê que mama tranquilo. Chamamos as crianças, conferimos se apanharam tudo: a mochila, o agasalho e saímos tranquilos.

Todos chegam ao local dos seus deveres, sem atrasos, sem irritação.

Percebemos como uma simples ação, perante um inconveniente, tem o condão de permitir horas sequentes de paz ou de desarmonia?

Nossa vida é sempre assim.

Existem acontecimentos sobre os quais não mantemos o controle, como o atraso da condução, as bruscas alterações do clima, as ruas congestionadas, um pequeno acidente de trânsito...

Dizem que esses correspondem a dez por cento. Mas, sobre a grande maioria, noventa por cento das situações, temos amplo gerenciamento.

A forma como encaramos pequenos transtornos, determinarão horas de paz ou de grande intranquilidade.

Façamos a experiência. Em vez de reagir, de forma negativa, vamos agir, positivamente. Contornemos, administremos, encontremos soluções para problemas que se apresentem.

Não nos estressemos, não sobrecarreguemos nosso organismo com cargas ruins, gozemos de tranquilidade.

Isso para sermos mais felizes em cada um dos nossos dias, e fazermos felizes aos que nos amam.



Momento Espírita.