Dias nublados


A vida também é feita daqueles dias em que acordamos desanimados, acreditando que não teremos ânimo para enfrentar as adversidades que nos esperam do lado de fora.

A vida, em determinados instantes, apresenta aquelas idéias de que as mudanças que almejamos para nossos dias, são complicadas e trabalhosas demais, faltando-nos coragem para batalharmos por elas.

A vida também traz com os acontecimentos inesperados e que modificam todos os nossos hábitos, a sensação de fracasso, de desamparo, de que não será mais possível reconstruir, reconquistar, seguir adiante e renovar.

Sim, a vida traz muitos dias nublados...

Porém, a vida também nos mostra que mesmo nesses dias nublados, a esperança não desapareceu, estando apenas encoberta pelas nuvens, mas ela permanece.

E como enxergar a esperança a nos indicar um novo rumo?
Como voltar a acreditar se a cada minuto, novos desafios nos surgem?
Como acender a confiança, se a nossa volta reina a tristeza e a discórdia?
E o medo? Como vencê-lo se nos sentimos rodeados pelas sombras?
Vigiar os pensamentos? Mas como fazer isso, se a sensação de escuridão nos envolve?

Fé...

Mas como tê-la, se nos sentimos desamparados e não conseguimos nem nos ligarmos com o Alto?

Dias nublados...

Nosso Espírito é uma centelha de luz, se aqui estamos, se recebemos a benção de uma nova reencarnação, não foi à toa, mas sim, para que nossa luz brilhasse, para que pudemos reencontrar o caminho do bem e nos aproximarmos do Pai.

E se somos uma centelha de luz, trazemos a Luz Divina conosco, fazemos parte dessa Luz.

Nos instantes em que os dias nublados surgirem diante de nós e muitos ainda serão esses dias, porque ainda estamos entre provas, que se fazem necessárias para que cada vez mais nossa luz brilhe intensamente, não vamos perder a nossa fé...

Mesmo que nos sintamos fracos e pensemos que não conseguimos nos conectar com o Alto.

Lembremos novamente: somos uma centelha de luz, sendo assim, estamos eternamente ligados ao Alto, mesmo quando optamos em seguir pelo caminho da porta larga, quando deixamos de praticar o bem, quando não abrimos nosso coração e preferimos abandonar os verdadeiros valores espirituais.

Mesmo assim, continuamos ligados ao Alto, porque como uma centelha, a nossa luz pode estar adormecida, mas jamais perdida.

Se nesse momento de provas intensas, não soubermos como expressar nossos sentimentos e nem como sentir a presença divina em nossa vida, fechemos nossos olhos, deixemos por alguns instantes os problemas e angústias de lado e busquemos pelo silêncio interior.

Assim, estamos permitindo que a espiritualidade, que sempre nos acompanha, possa se aproximar mais ainda e através de um passe espiritual, acalmar nossas aflições, tirar os fluídos negativos que trazemos conosco, fortalecer nosso Espírito e despertar a luz que há dentro de nós.

Nesse momento de silêncio, a espiritualidade estará aquecendo nosso coração, iluminando nossa mente, para que ela possa captar as inspirações que nos chegam do Alto e principalmente para que possamos perceber que não estamos sozinhos, nem nunca estaremos.

O amparo não nos falta, portas se abrem, emissários do Céu estão pelo caminho que trilhamos e o Mestre, Aquele que acreditávamos que havia nos abandonado, está bem ao nosso lado, caminhando conosco, sempre.

Porque o Mestre não se cansa de nos banhar com sua misericórdia e seu amor.

Sabe que ainda somos crianças espirituais e por isso mesmo, muitas vezes esquecemos dos seus ensinamentos, deixamos de acreditar na sua Presença e escolhemos outros caminhos...

Mas o Mestre também sabe que nosso Espírito é capaz de evoluir, que passo a passo, podemos nos elevar e superar as fraquezas, passando a buscar pela verdadeira moral.

E foi por isso que o Mestre nos disse: " Brilhe a vossa luz"
Ele sabia que havia uma luz dentro de cada um de nós.
Talvez adormecida, mas jamais perdida...

Nos dias nublados, não acreditemos que nada mais vale a pena.

Se não conseguimos manter a confiança, recordemos então, das palavras do Mestre e se mesmo assim, isso não for possível, não desistamos.

Vamos buscar pela imagem do Mestre e diante de nós passemos a enxergar sua Figura Amorosa, envolto em uma intensa Luz que também vem nos envolver.

Busquemos por essa imagem mental e pouco a pouco, compreenderemos que não é apenas uma imagem, Ele está, como sempre esteve, diante de nós e de braços abertos para nos receber.

E que se não temos forças para palavras ou nem para passos, abramos o nosso coração e já é o suficiente.

O Mestre caminhará até nós e de seu olhar sairão as palavras que nos devolverão a esperança e o equilíbrio espiritual.

E nesse momento, a luz que habita nosso ser, não estará mais adormecida, mas sim, ligada intensamente ao Alto.

Abramos sinceramente nosso coração, essa é a parte fundamental para que possamos enxergar o Mestre diante de nós.

Abramos nosso coração...

E a Luz Divina lá adentrará, despertando a nossa luz íntima.
E a fé e a perseverança voltarão.
E assim, os dias nublados só existirão do lado de fora, porque em nosso ser pulsa uma intensa luz que a tudo ilumina.

Somos uma centelha de luz, então, que brilhe a nossa luz.

O Mestre está diante de nós.
A confiança se reacendeu e já podemos voltar a caminhar.
O Mestre caminha conosco.

Caminhemos também.
Com perseverança nos dias nublados
E confiança de que o sol sempre retorna a nossa vida...

Sônia Carvalho


A inveja do conhecimento



Nada é mais triste quando percebemos que, em virtude de nossas descobertas, certos comandos pessoais, descontrolados, estão destruindo a capacidade da evolução.

Infelizmente, hoje, é muito comum encontrarmos pessoas com inveja do conhecimento, e sem a percepção de que esse sentimento é claro a todos à sua volta. É uma energia negativa sobre a sua capacidade. Porém, não devemos nos abater, pois essa inveja tem vida curta em sua trajetória. A velocidade da prática diária falará qual é o verdadeiro e o falso.

Os invejosos do conhecimento são passíveis de piedade. Em toda história da evolução humana, o conhecimento exige entrega, perseverança e troca. Sempre presente, a complexidade do saber deve carregar uma consciência limpa da maldade.

O conhecimento passa de mão em mão, e só esbarra na presença da preguiça e da falta de vontade. As pessoas que nutrem esse tipo de sentimento ruim estão sempre em busca da destruição de quem, com muito custo, conseguiu abstrair ideias e noções de tudo o que, incansavelmente, buscou.

Quem alimenta o verme da inveja é um inquieto, um perturbado que não enxerga que esse mesmo verme poderá deixá-lo muito mal. São pessoas inseguras, que poderiam perfeitamente também adquirir todo o conhecimento necessário ao seu bom sucesso sem precisar desejar o fracasso do outro.

Temos que saber até que ponto estamos deixando escapar a oportunidade de aprender. Devemos estar o mais próximo possível do conhecimento, absorvendo e aproveitando todas as oportunidades que nos levam ao crescimento intelectual e espiritual, sem deixar margem à preguiça e à inveja. O ser humano deve, sim, alimentar sabiamente certa ambição que, quando bem nutrida, servirá como uma alavanca para a sua força de vontade.

Em vez de inveja deveríamos sentir orgulho por estarmos compartilhando o mesmo espaço com quem já obtém o conhecimento. Quem tem a certeza do que diz vê as horas passarem sem medo. Quem pouco aproveita do conhecimento do próximo, um dia, sentirá a tristeza bater no seu coração, lembrando-se das oportunidades perdidas pelo tempo cedido à inveja.

O conhecimento adquirido não é para ser guardado em uma caixa impenetrável. Ele deve ser generosamente socializado com todos que queiram se aprimorar. Adquirir e transmitir conhecimento é motivo de orgulho e nobreza. Se permitir a absorver o conhecimento que o outro tem a passar é motivo de gratidão e humildade. Temos que transformar o sentimento da inveja do conhecimento na alegria do nascer do aprendizado.

O invejoso do conhecimento é barulhento e esquivo. Só na hora de mostrar do que é capaz é que percebe que, por pura vaidade, perdeu a oportunidade de beber na fonte de quem, com muita luta, ao longo do tempo, adquiriu uma experiência que só os anos e a vivência permite solidificar.

Essas pessoas carregam em seu semblante marcas bem visíveis. São marcas pesadas, duras e frias, próprias de quem não levam consigo nenhum traço de humildade. Elas não sabem o que é a leveza do ser, muito menos conhecem o prazer do conhecimento compartilhado. Parafraseando Vicente Espinel Adorno, poeta espanhol: "Se os homens tivessem dentro da alma a humildade e a gratidão, viveriam em perfeita paz".

Unir os que possuem o conhecimento àqueles que dele querem aprender de verdade, faz parte do mais alto grau da sabedoria humana. Cabe aos verdadeiros líderes esta consciência de união.

Se mostrar aberto ao aprendizado faz parte da evolução da consciência. É inteligente mantermos sempre um canal livre ao novo, ao inesperado e, no caso, aos experientes. A troca de experiências é sempre enriquecedora. Todos temos muito a dar e mais ainda a receber, humildemente falando.

por Bernardino Nilton Nascimento