O Natal da mata



Na floresta é tudo vida, é tudo profusão. O canto dos pássaros anima as manhãs. Os macacos, nossos parentes mais próximos, agitam os galhos com a sua gritaria, enquanto os animais rastejantes passeiam lentamente pelo solo. Araras multicoloridas alegram o ambiente tornando-o igualmente multicolorido. Na mata, a vida surge de várias formas e matizes. No verme, no inseto, no mamífero, no réptil. Tudo é vida, mas nem tudo é movimento. Quis assim o Criador, a permear a vida por cada espaço deste mundão.

E no meio dessa mata, entre as árvores colossais, uma árvore se apresenta diferente das outras. Naquela manhã, uma árvore havia se transmutado, enfeitada agora com bolas de vidro reluzentes e multicoloridas penduradas na ponta de seus galhos. Sinos e outros adereços espalhados pelo seu caule contrapõem-se a uma extensa faixa aveludada e prateada a envolver toda a sua extensão. E no seu cume, brilhante e resplandecente, paira fincada uma bela estrela.

Os bichos da mata, ressabiados pelas tantas mazelas que já provaram nos últimos tempos, chegam aos poucos para admirar aquela quebra na rotina da floresta. As araras aos poucos se aproximam enquanto os macacos emitem sonoras gargalhadas em frente daquela combinação de cores. As serpentes tentam abocanhar as bolas de vidro sem sucesso, na busca de ovos suculentos. Os índios aproximam-se com seus curumins para mostrar aquela novidade, sem  no entanto entender o que levou alguém a enfeitar daquela maneira o que Tupã já havia feito com tanta maestria.

Logo, na clareira que morava aquela árvore aninhou-se a diversidade da floresta em torno daquela novidade. Todos em um misto de espanto e admiração pela árvore toda enfeitada. Dias quentes se passaram, até que no sexto dia do ano surge um pequeno menino branco, com uma larga sacola. Ao ver os índios cultuando a árvore que jazia envolta de bichos, abre um largo sorriso.

Abeirando-se daquela turba, o menino vai recolhendo um a um os adereços da árvore, colocando-os na bolsa e trazendo-a para seu estado natural. Mais boquiabertos ainda, os índios e os animais, por sinalização universal, perguntam o porquê daquilo. O menino, utilizando elementos da própria natureza, expressa a eles que Deus tudo criou e que, em um dado momento da Terra, nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo para redenção de todos nós. E o seu nascimento era comemorado pelos homens, em um período em que se cultivava a paz, chamado Natal, e a árvore era um símbolo já antigo dessa época.


Espantou-se o menino observar que aquele culto ao Criador não era estranho para eles, que também tinham nos seus deuses esse ideal da paz. A mensagem de amor também tinha ali a sua linguagem, em símbolos outros, e com certeza, se não conheciam Nosso Senhor como ele conhecia, conheciam e viviam algo, ainda que latente, de sua mensagem, uma vez que o ideal transcende a carapaça corporal que nos esconde.

Ao fim do dia, une-se o menino aos índios e aos animais, em uma canção sem letra, que lembra o Natal, que lembra o Criador, que lembra a vida. Que lembra que ainda precisamos de símbolos para nos lembrar desses sentimentos.

Fonte: Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Obrigada pela companhia em 2014. Espero você, na segunda quinzena de janeiro, para fazermos juntos um 2015 de paz. Boas Festas!

            






Salvação



Em mais uma demonstração de falta de poder pessoal, existe a crença que sugere que seremos salvos por alguém maior que nós, eximindo mais uma vez o personagem principal da sua responsabilidade.
Primeiro, não precisamos ser salvos, pois não vivemos em um inferno.
Muitos de nós tem além de vida, dois pés e duas mãos, uma casa confortável, inteligência e uma boa família. Logo, não temos do que sermos salvos.
Certa vez eu reclamei da minha vida pedindo essa “salvação” e logo depois olhei em volta e vi onde eu vivia, o que eu comia, o que tinha e quem eu era e percebi a grande bobagem que havia dito.
Se você acredita que a sua vida está ruim, então salve-se você.
Pare de se lamentar e corra atrás do prejuízo que você mesmo causou quando não quis estudar ou preferiu comprar um carro novo financiado.
O maior exemplo de salvação dos cristãos foi Jesus que em nenhum momento passou a sua cruz para outra pessoa e tampouco se revoltou contra aqueles que foram contra a sua mensagem. 
Ele foi lá, pegou a sua cruz nos ombros, levou chicotada e foi crucificado ao lado de ladrões sem titubear. 
Se esta cena não é um bom exemplo de uma fortaleza de homem para quem é cristão não sei qual cena mais escolher.
Se Jesus é o seu ídolo então seja homem como ele, assuma a sua cruz e siga firme no seu caminho por mais chicotadas que você leve.
Fonte: Marcos Rezende