Cada qual com seu destino



Infelizmente sempre existirá alguém que poderá se acham no direito de determinar o destino de outras, dizendo o que se deve ou não fazer, e se tem ou não capacidade para executar certas funções, ou para seguir determinada carreira.

A grande verdade é que cada qual sabe de seu destino, o que fazer ou não de sua vida, e é isso que se chama livre arbítrio. Podemos achar que determinadas pessoas são ou não capacitadas, conforme nossa opinião, mas o que não podemos é impor essa nossa opinião aos outros. Ou seja, não é correto que por não gostamos de um cantor, de um artista, enfim seja lá do que for, não nos cabe o direito de querer impor a todos que tal pessoa é incompetente. Cada qual tem o direito de ter seu julgamento. A ditadura já perdeu seu lugar. Não podemos querer que todos pensem igual.

Se não gostamos de um cantor, basta mudarmos de estação quando ele começa a cantar, e não comprarmos seus discos. Agora, perder tempo tentando convencer aos outros que esse cantor não presta, é no mínimo irracional. É querer convencer a todos os que gostam do cantor que são pessoas que não tem capacidade de julgar, que não tem bom gosto artístico. 

E não é por aí, pois tanto o cantor tem direito de exercer sua profissão, como as pessoas que o apreciam tem o direito de gostar. Assim diz nosso direito à liberdade de opinião.

Pessoas assim, que se julgam "donos da verdade", gostam de tentar manipular a opinião dos outros. E muitas vezes se esquecem de viver sua vida.

Não se deve determinar o caminho a ser seguido, pode-se, quando muito, indicar qual poderia ser o melhor caminho a ser seguido, segundo nosso enfoque de vida. E isso, se a pessoa desejar receber informações. Todos devem ter a chance de errar, ou de acertar.

Gostaria de comentar sobre um pensamento de Paulo Coelho, que diz: 

Quem interfere no destino dos outros, nunca descobrirá o seu... 

Nosso querido Paulo Coelho é um escritor de renome, mas muita gente não o aprecia. Garanto que ele não se preocupa nem um pouquinho com quem o critica, pois o número de seus apreciadores é bem superior. Portanto...

Algo que é inegável é que nem todas as opiniões são iguais. Se não gostamos de alguém, não quer dizer que esse alguém não preste. É uma opinião nossa, particular.

E particular deve permanecer, salvo se alguém perguntar o que pensamos sobre o assunto. Nessas condições, sim, é válido darmos nossa opinião. Caso contrário, devemos guardá-la para nós, evitando tudo o que represente aquilo de que não gostamos. Quanto menos falarmos nessa pessoa., melhor será para nós mesmos. Não nos irritaremos tanto, lembrando de algo que detestamos.

O mesmo se pode dizer de pessoas que sempre se preocupam em viver a vida de outros, tentando sempre determinar seu destino, indicando o que pode ou não ser bom para alguém, com a célebre frase: Eu sei o que é bom para você... Ora, não se pode querer comandar vidas alheias. 

O importante é sempre respeitar as opiniões alheias, respeitando quem aprecia aquilo que não nos agrada. Sempre existirá alguém que contrarie nossa opinião. Querermos impor nossa opinião como verdade absoluta, é querer fazer pouco da inteligência alheia. 

Não podemos nos esquecer de coisinhas chamadas "direito de expressão", "direito de ir e vir", "liberdade de opinião". E vamos respeitar o espaço alheio, para o nosso também seja respeitado.

Só para terminar. Quando tiverem que lidar com alguém de quem não gostam, aí vai uma pequena sugestão: Antes de qualquer atitude de rejeição, pensem "o que eu faria se gostasse dele ?". Sabem que funciona... Muitas vezes, por uma antipatia pessoal (às vezes inexplicável), deixamos de socorrer alguém que está no sufoco. 

Existem certas horas em que desavenças pessoais devem ser esquecidas. Em certos momentos não existem amigos ou inimigos. Imaginem-se na situação inversa, e analisem que atitude gostariam de receber.

Marcial Salaverry 

Fluir


Um dos mais importantes entendimentos, a que deveríamos nos dedicar incessantemente, é aquele que se refere à forma como a vida se desenrola.


Os que ainda acreditam poder controlar tudo e direcioná-la sempre de acordo com os seus objetivos, cedo ou tarde terão de rever este conceito. Isto porque, por mais que se esforcem numa direção, muitas vezes a existência se moverá para o pólo oposto.


Quando isto acontece, ficam completamente perdidos, sem nenhum parâmetro no qual se apoiar para entender o que ocorreu. Este sentimento é o que está na raiz de muitas das doenças emocionais existentes no mundo atual: depressão, ansiedade, bipolaridade, síndrome do pânico.


Desequilíbrios são conseqüência direta do grau de resistência ao fluir da vida. E, quanto maior ela for, mais difícil será superá-los, visto que não se pode erradicar a doença, sem eliminar o que a causou.


Então, é fundamental entender que os principais aspectos do existir pertencem à dimensão do mistério, ou seja, tudo o que você necessitar para crescer, amadurecer, evoluir espiritualmente, lhe será trazido num determinado momento, independente do que você tema ou deseje que aconteça, movido pela sua mente.


Quanto mais cedo adquirimos a consciência deste processo, maiores são as chances de evitarmos os desvios de rota que nos mantém afastados da bem-aventurança e alcançarmos um estado permanente de equilíbrio interior.


"Você não pode dar ordens à existência, porque ela não segue sua lógica. Se você acha algo certo ou errado, a existência nem toma conhecimento da sua opinião. As coisas seguem um fluxo, como o rio segue para o oceano. Tudo é uma constante mudança. Se você entrar no fluxo, sentirá ser uma parte da existência; se você resistir, se sentirá separado dela. Em todo caso, a escolha é sua".


Osho