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Bata as suas asas


PARTE I - A história

Atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença


Clarice Lispector

Quero lhe contar a história do pássaro colorido. Havia um pássaro de  plumagem elegante e colorida. Infelizmente, um dia ele caiu numa cova profunda. Amedontrado e confuso, o pássaro nota que lá de cima há pessoas olhando para ele. Com muita raiva, a ave grita com eles: "Vocês são totalmente culpados pelo que aconteceu comigo. Se vocês tivessem tampado a cova, eu não teria caído dentro dela".
Como ninguém disse nada, o pássaro resolveu gritar por ajuda: "Por favor, ajude-me. Tirem-me desta cova!"
As pessoas que estavam por perto olham para o fundo da cova, e vendo lá o pássaro, dizem-lhe: "Abra tuas asas e voa para fora da cova".
Mas o pássaro, aflito, responde: "Eu estou com medo. Tenho medo de bater na parede desta cova quando abrir minhas asas".
Como ninguém deu mais atenção ao caso, o pássaro lamentou: "Este é o meu destino. Estou condenado a viver a minha vida toda aqui, no fundo desta cova".
Passados muitos e muitos anos, o pássaro resolveu tentar abrir suas asas, mas agora se dá conta que não tem mais forças, está velho demais, cansado, sem energias. Ele perdeu toda a força de suas asas e não conseguirá mais sair da cova.
Quando li essa história, inevitavelmente me identifiquei com o pássaro e com algumas das condutas que ele adotou depois que caiu na cova. Acredito que você, tanto quanto eu, também esteja na cova de algum problema e deseja sair o quanto antes. Mas será que também não estaríamos agindo como aquele pássaro? Até hoje ele não saiu do buraco, e pode ser que nós fiquemos assim se tivermos as mesmas posturas improdutivas que ele teve. 


Segundo Allan Kardec:


Que todos aqueles que são atingidos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida, interroguem friamente sua consciência; que remontem progressivamente à fonte dos males que os afligem, e verão se, o mais frequentemente, não podem dizer: Se eu tivesse, ou não tivesse, feito tal coisa, eu não estaria em tal situação. A  quem, pois, culpar de todas as suas aflições senão a si mesmo?"


Nas próximas edições, vamos conversar um pouquinho , a respeito de cada atitude. Acho que não vai doer muito.


Atitude faz a diferença



Vamos aos planos das atitudes que manifestem o amor em nossa vida. E de que forma podemos fazer isso? Comecemos por nós mesmos e nos façamos algumas indagações:

Quais são os pontes fortes da minha vida?
Como posso hoje ser mais amoroso comigo?
Que atitudes tomarei para demonstrar isso?
Estou comprometido a me tratar como gostaria que os outros me tratassem?
Estou disposto a ser mais responsável por mim mesmo trabalhando pelo meu progresso matéria e espiritual?
Estou empenhado em não viver mais acomodado com os meus vícios e defeitos?
Já sei que preciso perdoar o meu passado de equívocos para recomeçar minha vida em novas bases?

Em relação ao próximo, também poderíamos nos perguntar:

O que devo fazer para melhorar o meu relacionamento com as pessoas?
Estou disposto a aceitá-las como são?
De que maneira posso ajudar alguém em dificuldade?
Estou disposto a pensar que quando, Jesus nos pede para amar ao próximo , Ele não se refere só aos familiares e amigos, mas principalmente a todo ser vivente e inimigos?
Estou comprometido a ser indulgente com as imperfeições alheias?

Por fim, quando Santo Agostinho se refere ao amor de Deus, não seria justo também nos indagar:

Estou ciente de que Deus me ama e manifesta esse amor a todo instante?
Estou consciente de que estarei mais próximo de Deus através da oração e do trabalho de amor ao próximo?
Já me perguntei o que será que Deus quer de mim?
Estou certo que preservar a natureza e o meio ambiente é respeitar a casa  planetária que Deus construiu para todos morarem?
Já me dei conta de que a melhor oferenda que posso fazer a Deus será viver bem com o meu semelhante?
Estou convicto de que a humildade e a simplicidade me deixam bem pertinho de Deus?

A cura e a libertação que tanto almejamos estarão nas respostas que cada um der a essas perguntas. Bem, acho que diante de tantas questões a meditar, eu o convido a um momento de silêncio interior, pois é na acústica da nossa alma que Deus quer falar de amor com você nesse instante.